O chá é uma bebida bastante popular a nível mundial e é a segunda bebida mais consumida a seguir à água. A planta mais comum para a sua produção é a Camellia sinensis e os tipos de chá mais frequentes são o preto e o verde. A sua produção varia de acordo com os níveis de antioxidantes presentes e com a forma como a planta é fermentada. Tendo em conta todo o comércio existente em relação a este produto são produzidos anualmente cerca 3 biliões de quilos, sendo que 70% do comércio provém do chá preto e 20% do verde (Katiyar, Bergamo, Vyalil, & Elmets, 2001; Prasanth, Sivamaruthi, Chaiyasut, & Tencomnao, 2019; Shirakami & Shimizu, 2018).

De acordo com a literatura disponível, o chá foi primariamente consumido como uma bebida ou como um remédio medicinal pelos Chineses desde o ano 2737 AC (Prasanth, Sivamaruthi, Chaiyasut, & Tencomnao, 2019).

O aroma e os benefícios associados ao chá verde provêm dos polifenois, das catequinas e teaninas presentes. Contudo, ele apresenta outros componentes como cafeina, minerais, vitaminas, aminoácidos e carbohidratos. Devido a isto, tem propriedades anti-inflamatórias, antioxidativas, anticancerígenas, hipolipídicas (reduzem a quantidade de gorduras no sangue), hipoglicémicas (reduzem a quantidade de glicose no sangue), antibacteriológicas e antivirais (Katiyar, Bergamo, Vyalil, & Elmets, 2001; Prasanth, Sivamaruthi, Chaiyasut, & Tencomnao, 2019; Yamada, Takuma, Daimon, & Hara, 2006).

De acordo com a “European Food Safety Authority” existem cerca de 126 mg de catequinas por cada 100 ml de chá verde (Prasanth, Sivamaruthi, Chaiyasut, & Tencomnao, 2019).

Pode o chá verde ajudar a combater infeções?

O vírus Influenza é uma das principais causas da patologia respiratória aguda que ocorre em todo o mundo e afeta todas as idades. Este é um vírus sazonal que se manifesta mais frequentemente em determinadas alturas do ano. De forma a reduzir a mortalidade e morbilidade causadas por este, é recomendado ao público que utilize máscaras de proteção, que tenha uma boa higiene das mãos, que evite tossir para as mesmas, que gargareje e evite aglomerados de pessoas. Medicamentos e vacinas também são bastante utilizados para prevenção de infeção por este vírus. Contudo, a efetividade destas últimas depende do tipo de vírus Influenza envolvido, acrescentando-se o facto da efetividade de alguns antivirais não estar bem estabelecida (Matsumoto, Yamada, Takuma, Niino, & Sagesaka, 2011; Park, et al., 2011).

Assim, é importante descobrir outras formas de nos protegermos contra este “bicharoco”.

Tem-se vindo a demonstrar que as catequinas e as teaninas presentes no chá verde ajudam na prevenção de infeção por Influenza. Um estudo observacional realizado em alunos de uma escola no Japão verificou que os que bebiam entre 250-1250 ml mais de 6 vezes por semana apresentaram menor incidência de infeção por Influenza (Park, et al., 2011).

Uma outra investigação, realizada em 124 residentes de um lar de idosos no Japão demonstrou, que apenas gargarejar e bochechar com uma solução à base de catequinas extraídas do chá foi suficiente para prevenir este tipo de infeção (apenas 1 residente do grupo da solução de catequinas ficou doente vs 5 do grupo controlo). É de notar que todos os participantes tomaram a vacina contra este vírus antes do estudo ser iniciado (Matsumoto, Yamada, Takuma, Niino, & Sagesaka, 2011; Yamada, Takuma, Daimon, & Hara, 2006).

Uma outra dividiu os participantes em dois grupos: um a ingerir cápsulas de catequinas/teaninas (97 participantes) e o outro (grupo placebo) ingeriu cápsulas sem efeito terapêutico (90 participantes), de forma a comparar os efeitos do chá verde na prevenção de infeção por influenza desde novembro de 2009 até abril 2010. O número de indivíduos infetados (confirmado através de análises laboratoriais) foi de 1 no primeiro grupo e 5 no grupo placebo (Matsumoto, Yamada, Takuma, Niino, & Sagesaka, 2011).

E se falarmos de outro tipo de infeções?

  • Lesões da Cavidade Oral:

Lesões da mucosa oral podem ocorrer devido a infeções virais, bacteriológicas, de parasitas ou fúngicas, tumores, doenças sistémicas, sistema imunitário baixo e trauma, assim como comportamentos adquiridos ao longo da vida tais como utilização de tabaco e o consumo de bebidas alcoólicas. Este tipo de lesões pode causar alterações da pigmentação, úlceras, vermelhidão ou mesmo branqueamento e inchaço da boca (Salehi, et al., 2019).

Um exemplo deste tipo de lesões é a periodontite que se caracteriza pela inflamação das gengivas. 30 Participantes de um estudo foram divididos em 2 grupos: o de intervenção (n=15) que utilizou uma pasta de dentes à base de extratos de chá verde e o de controlo (n=15) que utilizou uma pasta de dentes comercial. Ambos foram instruídos a lavar os dentes duas vezes ao dia durante 2-5 minutos. Após 4 semanas, apesar de todos terem melhorado, o grupo de intervenção apresentou melhores resultados (Hrishi, et al., 2016).

Figura 1 Periodontite

Outros estudos têm demonstrado que as catequinas provenientes do chá verde ajudam nas cáries dentárias. Quando se lava a boca com chá, a presença de catequinas na saliva pode durar até 1 hora e estas irão promover a redução da placa bacteriana até 90 minutos após a lavagem (Hamilton-Miller, 2001; Hrishi, et al., 2016).

  • Lesões de pele:

As verrugas genitais são tumores de pele benignos causados pelo Virus Papilloma Humano (HPV). A sua progressão tanto pode ocorrer pelo aumento do seu tamanho como da sua quantidade. Os tratamentos para este problema incluem terapia imunológica, destruição das mesmas por químicos e/ou cirurgia e tratamentos com laser ou gelo. Contudo, estas estão associadas a efeitos secundários dolorosos tais como úlceras, destruição do tecido ou formação de cicatrizes, apresentando pouca eficácia e alta reincidência (E. Stockfleth, et al., 2008; Meltzer, Monk, & Tewari, 2009; Tatti, et al., 2008).

Estas verrugas podem causar desconforto ou mesmo dor, sangramento e problemas a nível social e sexual (Tatti, et al., 2008).

Poderá o chá verde ajudar?

Sim! Aliás, já se utilizam pomadas à base de chá verde para o tratamento deste problema.

De facto, 1 estudo randomizado comparou a utilização de uma pomada à base de extrato de chá verde com uma pomada placebo no tratamento de verrugas anogenitais durante 16 semanas (ou até ao desaparecimento destas se antes deste período de tempo) seguida de um tratamento grátis após 12 semanas do término do período de tratamento para verificação do reaparecimento do problema. Os participantes foram divididos em 3 grupos (grupo 1: pomada com 15% de catequinas provenientes do chá verde; grupo 2: pomada com 10% de catequinas e grupo 3: pomada placebo) e tiveram de aplicar as respetivas pomadas 3 vezes ao dia. Ao fim das primeiras 16 semanas, houve uma reversão total destas verrugas de 57.2%, 56.3% e 33.7% entre os grupos 1, 2 e 3 respetivamente (Tatti, et al., 2008).

Durante a sessão de “follow up” houve um reaparecimento deste problema em 6.5%, 8.3% e 8.8% nos grupos 1, 2 e 3 respetivamente (Tatti, et al., 2008).

O estudo de E. STockfleth, et al.,2008, também foi muito idêntico ao anterior e os resultados também demonstraram que mais de 50% dos participantes que utilizaram uma pomada à base de extratos de chá verde reverteram este problema ao fim de 16 semanas (E. Stockfleth, et al., 2008)

 

Mas, atenção!

Apesar de todos estes efeitos positivos, o chá verde também pode provocar a efeitos secundários. Podem ocorrer problemas de fígado devido à sua excessiva ingestão quando consumido concentrado ou em extrato, o facto de ter cafeina pode potenciar sintomas tais como vómitos, aumento do batimento cardíaco, agitação e frequente necessidade de ir à casa de banho. Felizmente, não existe evidência científica a demonstrar que beber chá verde cause estes efeitos secundários (Park, et al., 2011; Pillukat, et al., 2014; Prasanth, Sivamaruthi, Chaiyasut, & Tencomnao, 2019).

Contudo, este tipo de chá ajuda em tantos outros problemas!

Fiquem atentos pois isto será discutido para a semana!

Bibliografia

  • E. Stockfleth, H. B., Orasan, R., Grigorian, F., Mescheder, A., Tawfik, H., & Thielert, C. (2008). British Journal of Dermatology, 158, 1329–1338
  • Hamilton-Miller, J. (2001). Anti-cariogenic properties of tea (Camellia sinensis). J. Med. Microbiol., 299-302.
  • Hrishi, T., Kundapur, P., Naha, A., Thomas, B., Kamath, S., & Bhat, G. (2016). Effect of adjunctive use of green tea dentifrice in periodontitis patients – A Randomized Controlled Pilot Study. Int J Dent Hyg, 14(3), 178-83.
  • Katiyar, S. K., Bergamo, B. M., Vyalil, P. K., & Elmets, C. A. (2001). Green tea polyphenols: DNA photodamage and photoimmunology. Journal of Photochemistry and Photobiology B: Biology, 65, 119-114.
  • Matsumoto, K., Yamada, H., Takuma, N., Niino, H., & Sagesaka, Y. M. (2011). Effects of Green Tea Catechins and Theanine on Preventing Influenza Infection among Healthcare Workers: A Randomized Controlled Trial. BMC Complementary and Alternative Medicine, 11(15).
  • Meltzer, S. M., Monk, B. J., & Tewari, K. S. (2009). Green tea catechins for treatment of external genital warts. American Journal of Obstetrics & Gynecology, 233.e1-233.e7.
  • NICE. (2018). External genital and perianal warts: green tea (Camellia sinensis) leaf extract 10% ointment. 1-20.
  • Park, M., Yamada, H., Matsushita, K., Kaji, S., Goto, T., Okada, Y., . . . Kitagawa, T. (2011). Green Tea Consumption Is Inversely Associated with the Incidence of Influenza Infection among Schoolchildren in a Tea Plantation Area of Japan. The Journal of Nutrition Nutritional Epidemiology, 1862-1870.
  • Prasanth, M. I., Sivamaruthi, B. S., Chaiyasut, C., & Tencomnao, T. (2019). A Review of the Role of Green Tea (Camellia sinensis) in Antiphotoaging, Stress Resistance, Neuroprotection, and Autophagy. Nutrients, 11(474), 1-24.
  • Salehi, B., Jornet, P. L., López, E. P.-F., Calina, D., Sharifi-Rad, M., Ramírez-Alarcón, K., . . . Sharifi-Rad, J. (2019). Plant-Derived Bioactives in Oral Mucosal Lesions: Key Emphasis to Curcumin, Lycopene, Chamomile, Aloe vera, Green Tea and Coffee Properties. Biomolecules, 9(106).
  • Shirakami, Y., & Shimizu, M. (2018). Possible Mechanisms of Green Tea and Its Constituents against Cancer. Molecules, 23(2284).
  • Tatti, S., Swinehart, J. M., Thielert, C., Tawfik, H., Mescheder, A., & Beutner, K. R. (2008). Sinecatechins, a Defined Green Tea Extract, in the Treatment of External Anogenital Warts – A Randomized Controlled Trial. OBSTETRICS & GYNECOLOGY, 111(6), 1371-1379.
  • Yamada, H., Takuma, N., Daimon, T., & Hara, Y. (2006). Gargling with Tea Catechin Extracts for the Prevention of Influenza Infection in Elderly Nursing Home Residents: A Prospective Clinical Study. The Jounrla of Alternative and Complementary Medicine, 12(7), 669-672.

 

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