Anteriormente já se falou um bocado sobre o que são antioxidantes, qual a sua importância e quais os alimentos que apresentam maiores quantidades destes químicos (não foste a tempo de ler? Clica aqui, ainda vais a tempo).

Assim, hoje vou começar a apresentar resultados mais específicos sobre os seus benefícios contra o cancro.

O cancro do estômago/gástrico é o quarto tipo de cancro mais frequente a nível mundial. Interessante será dizer que,

Figura 1 Taxa de mortalidade padronizada por tumor maligno do estômago por 100000 habitantes, para o Total e por sexo em 2017

segundo os dados portugueses de 2010, esta patologia foi também a quarta mais frequente no país (Direção Geral de Saúde, 2016; Serafini, et al., 2011) .

Em 2017 ocorreram 2311 mortes devido a este tipo de cancro, representando 2.1% da mortalidade, tendo o sexo masculino apresentado maior frequência (Instituto Nacional de Estatística, 2019).

Alguns dos fatores de risco para o desenvolvimento desta patologia incluem fumar, consumo de sal, carne e comidas fumadas e o stress oxidativo causado pela formação de radicais livres (moléculas de oxigénio instáveis, descontroladas e bastante reativas). Assim, crê-se que uma ingestão de grandes quantidades de antioxidantes possa ajudar na redução do stress oxidativo (Serafini, et al., 2011) .

O estudo de Serafini, et al., 2011, concluiu que o consumo elevado de antioxidantes provenientes de alimentos à base de plantas está associado a uma redução do risco de se desenvolver cancro de estômago (Serafini, et al., 2011).

Uma outra investigação também concluiu que o consumo combinado de Vitaminas C e E e betacarotenos, provenientes de frutas e legumes estava associado a uma redução de 70% do risco de se desenvolver cancro gástrico (EKSTROM, et al., 2000).

E se agora, por exemplo, falarmos sobre o Linfoma Não Hodgkin (tipo de cancro que afeta o sistema imunitário)? O estudo de Holtan, et al., 2012, também suporta uma relação entre o consumo de alimentos ricos em antioxidantes, como vegetais crucíferos (ex: brócolos, couve-flor, couve de bruxelas) e a redução do risco de se desenvolver esta patologia (Holtan, et al., 2012).

Podemos consumir antioxidantes durante os tratamentos para o cancro?

Os mecanismos de diversos tipos de quimioterapia levam à formação de radicais livres. Já a radioterapia se sabe que potencia a destruição das células tumorais, pela destruição do seu DNA. Mais se acrescenta que os radicais livres produzidos por estes tipos de tratamentos oncológicos levam frequentemente a diversos efeitos secundários e podem potenciar as fases de iniciação e promoção do cancro (para mais informações sobre estas fases clica aqui) (Fuchs-Tarlovsky, 2013).

Uma investigação decidiu estudar os efeitos da ingestão de antioxidantes durante os tratamentos oncológicos e afirmou que não existe evidência de que os antioxidantes interfiram com os mecanismos da quimioterapia, existindo a possibilidade de estes melhorarem a resposta do tumor ao tratamento ou aumentar a taxa de sobrevivência dos pacientes (Fuchs-Tarlovsky, 2013).

E os suplementos/multivitamínicos?

Acho que está implementado na sociedade hoje em dia que todos os problemas se resolvem com um comprimido. Mais uma vez refiro que não há nenhum comprimido mágico que cure todos os problemas e penso que a sociedade tem de começar a mudar o seu pensamento e olhar mais para os seus estilos de vida, de forma a curar a causa do problema em vez dos seus sintomas.

Não existe evidência que suplementos de antioxidantes que incluam betacarotenos, vitaminas A, C e E e selénio previnam a formação de cancro gástrico. Muito pelo contrário este tipo de comprimidos tende, no geral, a aumentar a mortalidade. Para além disso, os estudos clínicos tendem a utilizar antioxidantes sintéticos em doses superiores às recomendações nutricionais e, ao longo do tempo, podem causar danos no nosso corpo (Bjelakovic, Nikolova, Simonetti, & Gluud, 2008; G, D, LL, RG, & C., 2007; Serafini, et al., 2011).

Os autores do estudo supra citado sobre o Linfoma Não Hodgkin afirmam também que as propriedades protetoras dos antioxidantes provêm dos alimentos e não dos suplementos alimentares (Holtan, et al., 2012).

Mais se acrescenta que, tal como os suplementos de fibra e de curcumina que já foram falados noutros artigos, não se devem isolar estes tipos de vitaminas pois estes não atuam isoladamente mais sim em sinergia com os outros componentes presentes nas frutas e vegetais (Bjelakovic, Nikolova, Simonetti, & Gluud, 2008; Serafini, et al., 2011).

Resumidamente:

  • O consumo de alimentos ricos em antioxidantes pode ajudar na redução do risco de desenvolver diferentes tipos de cancro;
  • Suplementos alimentares não aparentam ter os mesmos efeitos que a ingestão de frutas e legumes;
  • Assim, opta sempre pela forma natural que é mais saudável, efetiva e mais barata

Qual a dose ideal de vitamina C? – clica aqui para mais informações.

Outros artigos sobre antioxidantes: clica aqui

Nota: se gostaste do artigo podes avaliá-lo após referências bibliográficas.

Bibliografia

  • Bjelakovic, G., Nikolova, D., Simonetti, R. G., & Gluud, C. (2008). Antioxidant supplements for preventing gastrointestinal cancers. The Cochrane Collaboration(3).
  • Direção Geral de Saúde. (2016). PORTUGAL- Doenças Oncológicas em Números -2015. Lisboa: Direção Geral de Saúde.
  • EKSTROM, A. M., SERAFINI, M., NYRÉN, O., HANSSON, L.-E., YE, W., & WOLK, A. (2000). Dietary Antioxidant Intake and The Risk of Cardia Cancer and Noncardia Cancer of the Intestinal and Diffuse Types: A Population-Based Case-control Study in Sweden. Int. J. Cancer, 87, 133-140.
  • Fuchs-Tarlovsky, V. (2013). Role of antioxidants in cancer therapy. Nutrition, 29, 15-21.
  • G, B., D, N., LL, G., RG, S., & C., G. (28 de February de 2007). Mortality in randomized trials of antioxidant supplements for primary and secondary prevention: systematic review and meta-analysis. JAMA, 297(8), 842-57.
  • Holtan, S. G., O’Connor, H. M., Fredericksen, Z. S., Liebow, M., Thompson, C. A., Macon, W. R., . . . Cerhan, J. R. (1 de September de 2012). Food-Frequency Questionnaire Based Estimates of Total Antioxidant Capacity and Risk of Non-Hodgkin Lymphoma. Int J Cancer, 131(5), 1158-1168.
  • Instituto Nacional de Estatística. (2019). Causas de morte 2017. Lisboa, Portugal: Instituto Nacional de Estatística.
  • Serafini, M., Jakszyn, P., Luja´n-Barroso, L., Agudo, A., Bueno-de-Mesquita, H. B., Duijnhoven, F. J., . . . Carneiro, F. (2011). Dietary total antioxidant capacity and gastric cancer risk in the European prospective investigation into cancer and nutrition study. International Journal of Cancer, 131, E544-E554.

 

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