Quem nunca ouviu falar desta doença? Acredito que de todas as pessoas que conheces pelo menos uma apresenta esta condição médica…

Em 2015 a prevalência estimada da Diabetes em Portugal, em adultos entre os 20-79 anos, foi de 13.3%, sendo que mais de 1 milhão de portugueses apresentou este problema nesse ano. Em 2017, verificaram-se em Portugal um total de 4147 mortes devido a Diabetes Mellitus, correspondendo a uma percentagem de 3.8% da mortalidade no país nesse ano (Instituto Nacional de Estatística, 2019; Observatório da Diabetes, 2016).

A maioria dos casos de Diabetes são ou to Tipo 1 ou do Tipo 2. O primeiro, normalmente desenvolve-se durante a infância e adolescência, representando cerca de 5-10% de todos os casos, enquanto que o Tipo 2 representa cerca de 90-95% dos casos. Apesar de este último ser mais frequente em adultos com idades superiores a 40 anos, tem-se vindo a verificar um aumento do número de crianças e adolescentes que já apresentam esta patologia (Campbell & Campbell, 2016).

Nos EUA cerca de 1 em cada 3 indivíduos com menos de 18 anos apresenta Diabetes Mellitus Tipo 2, sendo que esta patologia está diretamente relacionada com os níveis de obesidade infantil, estilos de vida sedentários e maus hábitos alimentares. Não existe grande informação sobre os dados Portugueses, contudo, estima-se que em 2019, 29.6% das crianças apresentaram excesso de peso e 12% eram obesas. Sendo a obesidade um fator de risco para o desenvolvimento da patologia supra citada, acho que os portugueses se deveriam começar a preocupar com isto (COSI PORTUGAL-2019, 2019; Simões, Serra, & Duarte, 2015)… Mais se acrescenta que os adolescentes que apresentam esta patologia estão em grande risco de desenvolver outras complicações precocemente (abaixo descritas) (Simões, Serra, & Duarte, 2015).

Um estudo acompanhou crianças com Diabetes Tipo 2 durante 15 anos e verificou uma prevalência alarmante de amputação, cegueira, insuficiência renal e morte quando elas chegaram aos primeiros anos de vida adulta (Dean & Flett, 2002; Greger, 2015)!

De qualquer forma, em ambos os tipos existe uma disfunção do metabolismo da glicose.

Mas…Qual é o seu metabolismo normal (Campbell & Campbell, 2016)?

A Diabetes desenvolve-se quanto este mecanismo não funciona direito (Campbell & Campbell, 2016; Greger, 2015):

  • Tipo 1: o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente por disfunção ou destruição das células produtoras de insulina. É considerada uma doença auto-imune onde o próprio corpo destrói, por engano, estas células pancreáticas;
  • Tipo 2: existe produção de insulina, contudo esta não atua como deveria e a glicose não é efetivamente metabolizada. Mais se acrescenta que o corpo se torna resistente à insulina.

A prevalência desta patologia é cerca de 4 vezes maior em pessoas obesas. Muitas vezes a gordura, sobretudo a saturada, pode-se armazenar entre os nossos órgãos (chamada gordura visceral), especialmente dentro das células musculares e do fígado, interferindo com a ação da insulina (Greger, 2015; Observatório da Diabetes, 2016).

Em ambos os tipos os níveis glicémicos no sangue podem aumentar para valores perigosos, podendo levar a diversas complicações (Greger, 2015).

Quais as suas complicações (Center for Disease Control and Prevention, 2011) ?

Assustador não é? E pior ainda, os medicamentos atuais e cirurgias realizadas para “combater” este problema e respetivas complicações não curam a doença, apenas ajudam os indivíduos a manterem da melhor forma possível a sua qualidade de vida e os seus níveis de funcionalidade. Como consequência, as pessoas são submetidas a medicação “para a vida toda”, fazendo com que esta patologia tenha gastos enormes (Campbell & Campbell, 2016)!

Em 2014, em Portugal esta patologia representou um custo direto estimado entre 1300-1550 milhões de euros, representando cerca de 0.7-0.9% do PIB português nesse ano. Em 2015 este valor aumentou para 1936 milhões de euros (1% do PIB), correspondendo a 12% das despesas em saúde (Observatório da Diabetes, 2016).

Mais se acrescenta que a medicação tem efeitos secundários e depois temos que tomar mais medicamentos para controlar esses efeitos que por sua vez também têm efeitos secundários. Depois temos uma carrada de medicamentos para tomar e uma despesa enorme… Isto tem algum sentido?!

Será que as pessoas com este problema de saúde estão condenadas a tomar medicamentos até ao fim dos seus dias? Serão estes medicamentos eficazes?

Os resultados de um estudo publicado no “New England Journal of Medicine” demonstraram que a terapia intensiva para baixar os níveis glicémicos aumentou em 22% os níveis de mortalidade dos participantes, em comparação com terapia standart e não reduziu o risco de doença cardiovascular. Ao fim de 1 ano, 257 participantes do grupo de terapia intensiva morreram em comparação com o grupo de terapia standart onde faleceram 203 pacientes. Devido a isto, os autores decidiram, por questões de segurança, terminar esta investigação 17 meses antes da data de término prevista (HC, et al., 2008).

Os tratamentos com insulina promovem o envelhecimento. Mais se acrescenta que esta estimula o aparecimento de cancro, aumenta o risco de obesidade e aterosclerose. Os tratamentos com insulina tendem a piorar a retinopatia que é uma complicação da Diabetes (Blagosklonny, 2012).

Ler estes artigos, honestamente assustou-se…

Haverá outra solução para tratamento desta patologia?

Um estudo decidiu comparar entre a toma de metformina (comprimido que controla as taxas de glicemia no sangue) e a alteração dos estilos de vida, qual o mais eficaz na prevenção do aparecimento de Diabetes em indivíduos de alto risco de desenvolver esta patologia. Os participantes foram divididos em três grupos (Diabetes Prevention Program Research Group, 2002):

  • Grupo 1: metformina – primeiro mês tinham de tomar 850 mg deste medicamento uma vez por dia e após um mês esta dose foi aumentada para doses bi-diárias;
  • Grupo 2: alterações dos estilos de vida – Os indivíduos tinham de alcançar e manter uma redução de 7% do seu peso inicial através de uma alimentação baixa em calorias e em gorduras e realizar cerca de 150 minutos de atividade física moderada por semana;
  • Grupo 3: placebo – igual ao primeiro grupo, mas utilizando comprimidos sem efeito terapêutico.

Ao fim de 2.8 anos, a incidência da diabetes reduziu em 58% no grupo 2 em 31% no grupo 1 em comparação com o 3. Ou seja, as alterações dos estilos de vida foram mais eficazes que a medicação própria para “combater” esta doença (Diabetes Prevention Program Research Group, 2002).

Um outro estudo decidiu ver os efeitos que a dieta e exercício tinham em diabéticos durante 26 dias. Após avaliação, cada indivíduo teve um plano de treino que consistia maioritariamente em treino aeróbio que foi ajustado ao longo do estudo. Os indivíduos foram ensinados a preparar refeições altas em carbohidratos complexos (90% do número total de calorias), e em fibra e baixas em gorduras (10% do número total de calorias). A proteína correspondia apenas a 13% do número total de calorias ingeridas. A ingestão de álcool, café e tabaco não foram permitidos durante o estudo (Barnard, Lattimore, Holly, Cherny, & Pritikin, 1982).

Ao fim de apenas 26 dias, 21 de 23 pacientes deixaram de precisar de tomar medicação para controlo glicémico e 13 de 17 deixaram de ter necessidade de injetar insulina (Barnard, Lattimore, Holly, Cherny, & Pritikin, 1982)!

Estamos a falar em MENOS DE 1 MÊS! Ao fim deste tempo, grande parte destes pacientes deixou a medicação e as injeções! Eu acho isto fenomenal!

É de notar que tanto o exercício como as dietas ajudam neste problema e o ideal é englobarmos sempre os dois! Contudo agora a questão é: poderá apenas o que comemos ter também tantos efeitos positivos?

Isto será falado para a semana, fiquem atentos!!

Nota: se gostaste deste artigo podes avaliá-lo após referências bibliográficas.

Bibliografia

  • Barnard, R. J., Lattimore, L., Holly, R. G., Cherny, S., & Pritikin, N. (1982). Response of Non-insulin-dependent Diabetic Patients to an Intensive Program of Diet and Exercise. Diabetes Care, 5, 370-374.
  • Blagosklonny, M. V. (2012, October). Prospective Treatment of Age-Related Diseases by Slowing Down Aging. The American Journal of Pathology, 181, 1142-1146.
  • Campbell, T. C., & Campbell, T. M. (2016). The China Study – revised and expanded edition. BenBella Books, Inc.
  • Center for Disease Control and Prevention. (2011). National Diabetes Fact Sheet, 2011.
  • COSI PORTUGAL-2019. (2019). Childhood Obesity Surveillance Initiative. Serviço Nacional de Saúde.
  • Dean, H., & Flett, B. (2002). Natural history of type 2 diabetes diagnosed in childhood: long term follow-up in young adult years. Diabetes, 51.
  • Diabetes Prevention Program Research Group. (2002, February 7). REDUCTION IN THE INCIDENCE OF TYPE 2 DIABETES WITH LIFESTYLE INTERVENTION OR METFORMIN. The New England Journal of Medicine, 346.
  • Greger, D. M. (2015). Como não Morrer. Lua de Papel.
  • HC, G., ME, M., RP, B., Jr, G. D., JT, B., JB, B., . . . WT., F. (2008, June 12). Effects of Intensive Glucose Lowering in Type 2 Diabetes. The New England Journal of Medicine, 358, 2545-2559.
  • Instituto Nacional de Estatística. (2019). Causas de morte 2017. Lisboa, Portugal: Instituto Nacional de Estatística.
  • Observatório da Diabetes. (2016). Diabetes: Factos e Números – O ano de 2015. Lisboa: Sociedade Portuguesa de Diabetologia.
  • Simões, H., Serra, F., & Duarte, S. (2015). Diabetes Tipo 2 na Infância e Adolescência – Novos Doentes, Novos Desafios. Revista Portuguesa de Diabetes, 10(2), 90-97.

 

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