Ainda existem muitos mitos sobre a carne e os seus benefícios para a saúde. Contudo, espero com este site acabar com esses mesmos… Já se verificou que não só o consumo de carne está a destruir o planeta (clica aqui), como pode contribuir para o aparecimento de novas pandemias (clica aqui) e aumentar o risco de cancro do intestino (clica aqui).

Vamos falar de outro tópico em relação a este alimento.

Desde algumas gerações para trás que a carne e a proteína animal são consideradas essenciais para se ganhar força. “Tens que comer carne para ter proteína”; “Tens que comer carne se queres ser forte e se queres ter músculo”; “Se queres ser homem, tens de comer carne!” etc etc.

Mas… será que foi sempre assim?

Vamos voltar atrás no tempo e dar uma olhadela às dietas dos nossos antepassados?

E que tal visitarmos a época dos gladiadores?

Os gladiadores eram indivíduos que tinham de lutar numa arena. Eles possuíam tanto armas de ataque como de defesa. A luta acabava quando um deles era morto, sofria uma lesão que não lhe permitia continuar a luta ou atingia a exaustão. A decisão final sobre o destino do perdedor encontrava-se nas mãos dos organizadores do evento e do público (Kanz & Grossschmidt, 2007).

A luta entre gladiadores era considerada um desporto onde o vencedor era considerado um herói (Longo, Spiezia, Maffulli, & Denaro, 2008).

Quando penso nestes lutadores, as primeiras coisas que me vêm à cabeça são força, endurance e eficácia, ou seja, eles tinham de ser uma máquina de lutar perfeita, senão estavam “mortos”. Eles necessitavam de ter treinos constantes de forma a estarem aptos a lutar na arena (Longo, Spiezia, Maffulli, & Denaro, 2008).

Mas o que será que eles comiam para terem energia para combaterem? Será que tinham uma alimentação à base de proteína e carne como acontece hoje em dia?

Tal como o cálcio, o estrôncio (Sr na tabela periódica) é um metal alcalino que ocorre naturalmente na litosfera. As plantas apresentam maiores rácios Estrôncio-cálcio (Sr/Ca) em comparação com as carnes (Sillen & Kavanach, 1982).

Isto está tudo um pouco relacionado com a cadeia alimentar. Os animais herbívoros, ao ingerirem plantas, vão apresentar menores rácios cálcio-estrôncio que estas e o animal carnívoro que come a carne do herbívoro menores rácios apresentará (Losch, Moghaddam, Grossschmidt, Risser, & Kanz, 2014; Sillen & Kavanach, 1982).

Devido ao facto de os alimentos à base de plantas apresentarem maiores rácios Sr/Ca, quando mais destes alimentos se comer, maiores rácios destes metais vão estar presentes no esqueleto. Ou seja, maiores valores nos ossos indicam uma alimentação rica em vegetais e menores valores indicam uma alimentação rica em carne (Losch, Moghaddam, Grossschmidt, Risser, & Kanz, 2014).

Foi devido a isto que se conseguiu descobrir o que é que os gladiadores comiam.

Textos contemporâneos sobre os romanos afirmam que estes tinham uma dieta muito específica que incluía cevada e feijão. Devido a esta suposição estes combatentes ganharam a alcunha de “hordearii” (comedores de cevada) (Losch, Moghaddam, Grossschmidt, Risser, & Kanz, 2014).

Um estudo analisou diferentes ossos retirados de um cemitério onde se encontravam inúmeros restos mortais de gladiadores e compararam os rácios de Sr/Ca entre estes e restos mortais de habitantes romanos da mesma época. Após análise, repararam que os guerreiros apresentavam maiores rácios (cerca de duas vezes mais) em comparação com os não guerreiros, tendo os autores concluído que os gladiadores eram essencialmente vegetarianos (Longo, Spiezia, Maffulli, & Denaro, 2008; Losch, Moghaddam, Grossschmidt, Risser, & Kanz, 2014)!

Vegetarianos, quem diria!

Afinal não precisas de comer carne para seres forte… Não só os gladiadores de há imensos anos atrás, mas hoje em dia existem também outros “heróis” (atletas de alta competição) que não comem carne e mesmo assim apresentam uma performance fenomenal. Eis alguns exemplos:

  • Patrik Baboumian: campeão de fisiculturismo. É um dos homens mais fortes do mundo. Em 2012 competiu na “European Powerlifting Championships” e foi capaz de fazer agachamentos de 300 Kg, “Bench Press” de 200kg e “Deadlifts” de 330 Kg. Em 2013 bateu o recorde mundial de “Yoke walk” onde foi capaz de andar 10 metros com um Yoke de 550 Kg (Chaves, 2015; Great Vegan Atheletes, s.d.)
  • Scott Jurek: Ganhou bastantes prémios ao longo da sua carreira. Venceu 7 vezes a corrida de 100 milhas do “Western States”, foi o primeiro Americano a ganhar o “Spartathon” (246 Km), ganhou 24 ultramaratonas entre 77-246 Km, ganhou o recorde de correr em 24h cerca de 165.7 milhas e em 2015 fez o Trail “Appalachian” (2189 milhas) em tempo recorde (46 dias e 11 horas) (Great Vegan Atheletes , s.d.);
  • Novak Djokovic: Vencedor de inúmeros torneios. Já ganhou cerca de 16 torneios de “Grand Slams”. É o segundo maior vencedor de torneios “ATP Masters 1000” com 33 vitórias (Wikipedia , s.d.).

 

Resumidamente:

  • A ideia de que comer carne é essencial para se ser forte é um mito. Esta ideia foi incutida erradamente, na sociedade ao ponto de que hoje em dia ainda haver muita gente a achar que se tem de comer carne para se ter mais proteína e para se ter melhor performance, o que não é verdade.
  • Tal como os gladiadores e tal como muitos atletas de hoje em dia, tu podes ter uma performance fenomenal com uma dieta à base de plantas!

Para mais informações sobre este tema, aconselho-te a veres o documentário “The Game Changers” no Netflix ou mesmo no Youtube! Acredita, não te vais arrepender de o ver!

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Bibliografia

  • Chaves, F. (21 de Setembro de 2015). Vegano carrega 560 kg por 10 metros e quebra o recorde mundial de ‘yoke walk’ na Alemanha. Obtido de Vista-se: https://www.vista-se.com.br/vegano-carrega-560-kg-por-10-metros-e-quebra-o-recorde-mundial-de-yoke-walk-na-alemanha/
  • Great Vegan Atheletes . (s.d.). Scott Jurek, vegan ultramarathon runner. Obtido de Great Vegan Atheletes : https://www.greatveganathletes.com/scott-jurek-vegan-ultramarathon-runner/
  • Great Vegan Atheletes. (s.d.). Great Vegan Atheletes. Obtido de https://www.greatveganathletes.com/patrik-baboumian-vegan-strongman/
  • Kanz, F., & Grossschmidt, K. (2007). Roman Gladiators – The Osseous Evidence.
  • Longo, U. G., Spiezia, F., Maffulli, N., & Denaro, V. (October de 2008). The best athletes in ancient Rome were vegetarian! Journal of Sports Science and Medicine, 7(565).
  • Losch, S., Moghaddam, N., Grossschmidt, K., Risser, D. U., & Kanz, F. (2014). Stable Isotope and Trace Element Studies on Gladiators and Contemporary Romans from Ephesus (Turkey, 2nd and 3rd Ct. AD) – Implications for Differences in Diet. PLOS ONE, 9(10), 1-17.
  • Sillen, A., & Kavanach, M. (1982). Strontium and Paleodietary Research: A Review. YEARBOOK OF PHYSICAL ANTHROPOLOGY, 25, 67-90.
  • Wikipedia . (s.d.). Novak Djokovic. Obtido de Wikipedia : https://pt.wikipedia.org/wiki/Novak_Djokovic

 

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