O Açafrão das Índias/Curcuma/Tumeric é uma especiaria proveniente da planta “curcuma longa” e que pertence à família do gengibre. A parte mais importante desta planta é a sua raiz, que é muito utilizada na culinária e na medicina (Shishodia, Sethi, & Aggarwal, 2005).

Os componentes mais ativos do açafrão são a curcumina, que está presente em 2-5% da especiaria e os curcuminóides que dão a cor amarelada a esta, que é um excelente anti-inflamatório! Esta é também um antioxidante 10 vezes mais potente que a vitamina E (Shishodia, Sethi, & Aggarwal, 2005).

Quais as suas propriedades? (Gupta, Sung, Kim, Prasad, & Li, 2013; Shishodia, Sethi, & Aggarwal, 2005)

  • Anticancerígenas: bloqueia a iniciação, progressão, invasão e metástase do cancro (em que consistem estas diversas fases do cancro? Clica aqui para saberes mais);
  • Cárdio-protetoras: ajuda a reduzir a placa aterosclerótica, pela redução da agregação das plaquetas e pela oxidação do colesterol LDL, reduzindo o risco de enfarte do miocárdio (clica aqui para leres mais sobre doença cardiovascular);
  • Ajuda nos problemas de pele: como cancro, psoríase, dermatite e escleroderma. Previne também a formação de cicatrizes e retarda o aparecimento de rugas. A máscara de açafrão é muito utilizada nestes casos e na melhora da qualidade da pele!
  • Ajuda na Diabetes Tipo 2: reduz a quantidade de açúcar no sangue;
  • Ajuda na artrite reumatóide e esclerose múltipla;
  • Ajuda no Alzheimer: pela supressão do stress oxidativo e inflamação, reduzindo os défices cognitivos;
  • Ajuda na Doença do Intestino Irritável, problemas de fígado e estômago;
  • Ajuda na Fibrose Cística (doença pulmonar) e vírus da SIDA;
  • Inibe o crescimento de bactérias, vírus e fungos;
  • Ajuda em problemas ginecológicos como dores menstruais;
  • Melhora a visão;
  • Pode ajudar nas dores de dentes ou gengivais. Tem sido reportado alívio imediato depois de bochechar água com açafrão;
  • Oferece proteção devido a danos associados a radiação.

Vamos explorar alguns estudos juntos? Nota: Os pontos supra citados não vão ser todos explorados

Artrite e Artrite Reumatóide:

Uma investigação decidiu comparar os efeitos do açafrão com o Diclofenac (medicamento anti-inflamatório) em pacientes com Artrite Reumatóide. O estudo demonstrou que o açafrão foi mais eficaz a reduzir a dor e o inchaço articular que o Diclofenac. Mais se acrescenta que a junção dos dois foi menos eficaz que o açafrão sozinho! Acrescenta-se ainda que o grupo de participantes a quem só foi administrado o medicamento sofreu efeitos secundários associados a este, enquanto o grupo que utilizou a curcuma não sofreu nenhum efeito adverso (Chandran & Goel, 2012).

Um outro estudo comparou a eficácia entre açafrão e Iboprufeno na diminuição da dor em pacientes com artrose de joelho durante o caminhar e o subir e descer de escadas. Eis os resultados:

Figura 1 Diferenças do nível de dor entre grupos durante o caminhar e o subir/descer escadas (Kuptniratsaikul, Thanakhumtorn, Chinswangwatanakul, Wattanamongkonsil, & Thamlikitkul, 2009)

Houve uma maior redução dos níveis de dor no grupo que consumia o açafrão, comparativamente com o grupo de controlo. Esta redução foi estatisticamente significativa nos níveis de dor durante o subir/descer de escadas (Kuptniratsaikul, Thanakhumtorn, Chinswangwatanakul, Wattanamongkonsil, & Thamlikitkul, 2009)!

9 Estudos clínicos envolvendo num total 797 pacientes concluíram que este alimento ajuda na redução da dor e rigidez associadas a artrite, melhora a função dos indivíduos durante o desempenho de atividades do dia-a-dia e reduz a necessidade de se utilizarem anti-inflamatórios não esteróides e outros analgésicos (Goulart, Partar, Cunha, & Zung, 2019)

Rins:

Num outro estudo, o açafrão ajudou a diminuir a proteinuria (perda excessiva de proteína na urina), a hematúria (presença anormal de glóbulos vermelhos na urina) e a tensão arterial sistólica em pacientes que sofriam de nefrite lúpica (inflamação dos rins causada pelo Lupus Eritematoso Sistémico, uma doença autoimune) (P, et al., 2012).

Cancro:

O aumento dos níveis de ácido nítrico têm sido reportados em diferentes tipos de leucemia, incluindo a leucemia mielóide crónica. Um estudo avaliou os efeitos do açafrão em pó sobre este ácido: dividiram os participantes em dois grupos, o grupo 1 a tomar medicação e o grupo 2 a tomar medicação mais o açafrão. Este estudo concluiu que ambos os grupos tiveram uma redução da quantidade de ácido nítrico, sendo que o grupo 2 apresentou uma redução mais acentuada. Assim, os autores sugeriram que o açafrão poderia ser um coadjuvante no tratamento desta patologia (VS, et al., 2012).

Úlceras:

Uma outra investigação concluiu que o açafrão tem a capacidade de tratar úlceras pépticas. Ao fim de 4 semanas, 48% dos participantes não apresentavam úlceras, tendo esta percentagem aumentado para 79%, ao fim de 12 semanas (C, B, M, & K., 2001)!

Ou seja, o açafrão é uma especiaria com tantas, mas tantas propriedades que acho que é impossível ignorar. Agora eis a questão: em que alimentos o posso usar? Em que quantidades devo tomar? Suplemento de curcumina vs versão natural, qual a melhor? Existem precauções a ter com esta especiaria?

Boas questões não é? Isto será esclarecido para a semana. Fiquem atentos!!

Nota: se gostaste do artigo podes avaliá-lo após as referências bibliográficas!

Bibliografia

  • C, P., B, I., M, L., & K., H. (2001). Phase II clinical trial on effect of the long turmeric (Curcuma longa Linn) on healing of peptic ulcer. The Southeast Asian Journal of Tropical Medicine and Public Health, 32, 208-2015.
  • Chandran, B., & Goel, A. (2012). A Randomized, Pilot Study to Assess the Efficacy and Safety of Curcumin in Patients with Active Rheumatoid Arthritis. PHYTOTHERAPY RESEARCH, 26, 1719-1725.
  • Goulart, M., Partar, D., Cunha, L., & Zung, S. (2019). Curcumin in Osteoartheritis treatment: The Present State of Evidence. BMJ, 78(2).
  • Gupta, S. C., Sung, B., Kim, J. H., Prasad, S., & Li, S. (2013). Multitargeting by turmeric, the golden spice: From kitchen to clinic. Molecular Nutrition & Food Research, 57, 1510-1528.
  • Kuptniratsaikul, V., Thanakhumtorn, S., Chinswangwatanakul, P., Wattanamongkonsil, L., & Thamlikitkul, V. (2009). Efficacy and Safety of Curcuma domestica Extracts in Patients with Knee Osteoarthritis. The Journal of Alternative and Complementary Medicine, 16, 891-897.
  • P, K., B, Z., E, A., M, N., F, A., L, M., & GR, D. (2012). Oral supplementation of turmeric decreases proteinuria, hematuria, and systolic blood pressure in patients suffering from relapsing or refractory lupus nephritis: a randomized and placebo-controlled study. Journal of Renal Nutrition, 22, 50-57.
  • Shishodia, S., Sethi, G., & Aggarwal, B. B. (2005). Curcumin: Getting Back to the Roots. New York Academy of Sciences, 1056, 206-2017.
  • VS, G., S. L., K, D., PS, G., R, D., & R., S. (2012). Effect of imatinib therapy with and without turmeric powder on nitric oxide levels in chronic myeloid leukemia. Journal of Oncology Pharmacy Practice, 18, 186-190.

 

 

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6 Replies to “Açafrão das Índias – mais do que tornar os alimentos amarelos!”

    1. Olá!
      Algumas das suas perguntas irão ser esclarecidas no artigo da próxima semana. Contudo, no mercado existe em forma de pó, normalmente na zona das especiarias e em algumas lojas também consegue encontrar em raíz.

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